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Eu sou Barrabás!

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Diante do mistério da Paixão, revendo nossa condição de pecado, de miséria, acabamos muitas vezes por nos identificar com alguns dos personagens da reta final da vida pública de Jesus nesta Terra. Diante do Verbo aniquilado, nos enxergamos como Pedro, aquele que era próximo, que abandonou redes e viu o Reino crescer qual grão de mostarda, mas no definitivo instante viu suas promessas perderem as forças dando lugar apenas ao inconstante homem da negação. Podemos nos ver como Pilatos, que apenas lavou as mãos diante do sofrimento; mal que até hoje portamos em nossos egoístas e individualistas corações à procura da verdade, sem ao menos perceber quando ela grita a nós no rosto de quem sofre. Podemos nos ver como o ladrão, seja o bom ou mal, que estava ao lado de Jesus e no encontro com a morte precisou tomar a mais ‘decisiva decisão’.

Mas nenhum deles nos cai tão bem quanto outro personagem da Paixão. Para encontrá-lo precisamos voltar à Fortaleza Antônia. Lá nos depararemos conosco: Barrabás! Você pode se perguntar em que somos parecidos com o famoso assassino da época de Cristo. Barrabás vem do hebraico Bar Abbas, ou simplesmente, filho do Pai. Seu nome pode não ter nenhum significado aparente quando o escutamos ao longo de nossas vidas ao passarmos o olhar pelo Evangelho. Mas mergulhados no que significa talvez encontremos a graça de nos identificarmos. Não sei se você já parou para pensar, mas o ‘filho do Pai’ era quem deveria ser crucificado ao lado dos dois ladrões. O assassino deveria morrer. Mas Cristo assumiu o lugar daquele digno de morte. O justo pelo ímpio.

eu sou barrabas

A doce carne do salvador, aniquilada sob dores e ultrajes, assumiu os flagelos que nossa podre carne deveria padecer. A fúria sem limites daqueles que seriam salvos pelo redentor de Nazaré deveria recair sobre mim e você. O abandono dos que eram amados deveria ser sentido em pele e alma por mim e você. Imagine alguém que você ame muito. Imagine-se, mãe, imagine-se pai, sendo traído e abandonado por seu próprio filho, a quem você seria capaz de dar a vida. Imagine-se sendo traído por seu cônjuge, por seu amigo mais íntimo, aquele a quem você confia vida sem pestanejar. Ainda que nos esforçássemos ao limite não chegaríamos à profundidade do mistério do Amor abandonado.

Há, então, esperança para você e eu, “barrabases”? Sim, há! Podemos vir a ser outro discreto personagem da Paixão. O filho do pai pode vir a ser o homem de Cirene. Também sem nome, ficou lado a lado com Jesus. E não há o que temer em carregar com Cristo o peso do madeiro, pois o homem de Cirene nunca chegará a ser o homem na cruz. Porém, no caminho terá aprendido a amar o Crucificado. Quem isso o fizer, não só amigo dele se tornará, mas da própria Cruz. Apenas amando altar e vítima, cruz e crucificado, teremos a vida encerrada no mistério que hoje celebramos. E então, se cumprirá em nossas vidas as palavras de jesus: “Quando eu for levantado atrairei todos a mim” (João 12,32).

Vivamos o mistério da Cruz! Sejamos homens e mulheres de Cirene! Santo Sacrifício do Amor a todos!

Seminarista GeorgeGeorge Lima

Seminarista Canção Nova

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