«

»

mar
26

DISCURSO DO MÉTODO

Print Friendly
Discurso do Método

Discurso do Método

            René Descartes foi um importante filósofo e matemático, sua obra “Discurso do Método “ foi publicada originalmente em 1637. O texto é composto de seis partes onde o autor, partindo de um relato de sua biografia intelectual, expõe de maneira clara e sucinta os grandes traços de seu novo sistema filosófico.

            Descartes rompe com a tradição ao afirmar que o homem pode chegar ao conhecimento pelo simples fatos de ser sujeito capaz de adquirir conhecimento, sem a necessidade de um ser ontológico. “Pois afigurava-se-me poder encontrar muito mais verdade nos raciocínios” (DESCARTES, p. 47). Na primeira parte do Discurso do Método, Descartes reconhece seu débito com o colégio e os professores, assim como os livros que teve a oportunidade de ler. Após ter feito esta relação especialmente com à teologia, à filosofia, à história e às ciências fundadas filosofia, Descartes se liberta dos professores, abandona o estudo das letras e passa a procurar apenas a ciência que poderia encontrar nele mesmo ou no grande livro do mundo.

            O bom senso mesmo com a mesma proporção em todos os homens, não leva a conhecer a verdade, é preciso que a razão seja orientada por regras que proporcionam chegar à evidencia. Descarte diz que basta aplicar o método corretamente para chegar a verdade das coisas, sem necessidade de grande cultura, memória ou raciocínio especiais.

            Para Descartes o homem é um animal racional em sua essência, mas nem todos os homens utilizam corretamente a capacidade de bem julgar e de discernir o verdadeiro do falso, a sua razão. Como já vimos “o bom senso é a coisa do mundo melhor partilhada”(DESCARTES,p. 41). vemos que o poder de bem julgar e de distinguir o verdadeiro do falso está presente em todas as pessoas, as eventuais diferenças provem do fato de que cada um toma um caminho diferente ao procurar a verdade. Descartes percebeu que o costume e o exemplo nos persuadem mais do que em conhecimento certo. Desta forma ele tenta justificar a necessidade de um método, que fosse seguro e que leve as pessoas á mesma verdade.

            O método é um conjunto de regras que, quando observada por alguém, torna-lhe impossível tomar o falso pelo verdadeiro. A noção de verdade esta ligada ao método. Descartes recomenda que qualquer pessoa dotada de bom senso, em vez de se preocupar em acumular o conhecimento sobre uma infinidade de leis e regras, cujo excesso conduz ao vicio, tentasse seguir as quatros . Desta forma o conjunto de regras apresentado pelo autor procura reduzir um problema muito complexo em menos complexo.

Em vez desse grande numero de preceitos de que se compõe a lógica, julguei que me bastariam os quatros seguintes , desde que tomasse a firme e constante resolução de não deixar uma só vez de observa-los.

O primeiro era o de jamais acolher alguma coisa como verdadeira que eu não conhecesse evidentemente como tal; isto é, de evitar cuidadosamente a precipitação e a prevenção, e de nada incluir em meus juízos que eu não tivesse nenhuma ocasião de pô-lo em dúvida.

O segundo, o de dividir cada uma das dificuldades que eu examinasse em tantas parcelas quantas possíveis e quantas necessárias fossem para melhor resolve-las.

O terceiro, o de conduzir por ordem meus pensamentos, começando pelos objetos mais simples e mais fáceis de conhecer, para subir, pouco a pouco, como por degraus, até o conhecimento dos mais compostos, e supondo mesmo uma ordem entre os que não se precedem naturalmente uns aos outros.

E o ultimo, o de fazer em toda parte enumeração tão completa e revisão tão gerais, que eu tivesse a certeza de nada omitir(DESCARTES,p. 53-54)

            A primeira regra é a regra da evidência racional dada pela intuição a fim de alcançar as idéias claras e distintas. Recusando as explicações que lhe haviam sido dadas como certas desde a sua infância, aceita apenas aquilo que é claro e distinto, aquilo que não pode ser posto em dúvida, isto é, aquilo que é evidente; a segunda regra é a regra é a análise dos dados obtidos para verificar as partes e obter o conhecimento necessário, tornando simples uma aglomeração de informações. Segundo a qual é necessário dividir cada dificuldade ou problema no maior número de parcelas e estudar cada parcela separadamente; a terceira regra é a da síntese, para se alcançar a ordem, partindo do simples para o mais elevado grau do pensamento. Nesta regra está implícita a dedução como percurso correto de pensar; e a quarta regra é o do controle, tem por objetivo organizar e verificar as informações obtidas através da enumeração e revisão. que consiste numa   espécie de revisão de todo o processo, uma visão global de todos os passos que garante que nada tenha sido omitido.

            O cogito, ergo sum, penso, logo existo, resume sua conclusão de que o pensamento é uma realidade em si mesmo, uma substância, distinta e diferente da matéria. Há duas substâncias finitas e uma finita.

            O dualismo cartesiano, admiti a existência de duas realidade: alma e corpo. A independência entre espirito e corpo conduzirá a uma nova separação: sujeito e objeto. O segundo conceito de Descartes refere-se ao idealismo: o conhecimento é possível à partir das idéias. Observando que esta verdade: “eu penso, logo existo, era tão firme e tão certa que todas as mais extravagantes suposições dos céticos não seriam capazes de a abalar, julguei que podia aceita-la, sem escrúpulo, como o principio da filosofia que procurava”(DESCARTES, p. 66-67). A filosofia de Descartes consiste em tomar o sujeito como ponto de partida do conhecimento.

            A essência do homem está no pensamento. “de sorte que esse eu, isto é, a alma, pela qual sou o que sou, é inteiramente distinta do corpo e, mesmo, que é mais fácil de conhecer do que ele, e, ainda que este nada fosse, ela não deixaria de ser tudo o que é”(DESCARTES,p. 67).

            “A fim de permanecer irresoluto em minhas ações, enquanto a razão me obrigasse a se-lo em meus juízos, e de não deixar de viver desde então o mais felizmente possível, formei para mim mesmo uma moral provisória”(DESCARTES,p. 59). Ao desenvolver seu método, Descartes precisa de alguns princípios morais que possibilitem a ele continuar se caminhar até o estabelecimento final do método. A partir disso, Estabelece três máximas para si próprio. Estas máximas foram baseadas na resolução que firmara de continuar se instruindo e de julgar bem para agir bem o que pressupõe que a ação em termos morais está vinculada ao sujeito pensante no uso da razão e do bem julgar. Descartes considerou por bem estabelecer uma moral provisória que lhe permitisse tomar decisões quanto as ações a serem realizadas externamente.

            A regra da moral provisória são: obedecer às leis e aos costumes do próprio país, praticando a religião na qual se foi instruído desde a infância. Evitar influências, Ser firme e resoluto nas ações e opiniões a que se tivesse determinado. Não desejar, pequenas partes das variadas ações para escolher a melhor. Empregar toda a vida a cultivar a razão e progredir o mais possível no conhecimento da verdade. Viver o método, Exercício do método viajando e estudando.

            Na quinta parte, Descartes destaca a aplicação do método às questões físicas e relativas à medicina, onde ele relata com o funciona o coração humano; também destaca a descrição dos animais não-humanos como máquinas orgânicas complexas, marca do mecanicismo; também descreve as particularidades da alma humana. Para ele, Deus institui certas leis de natureza e imprimiu essas noções em nossas almas. A alma humana não foi tirada da matéria e por isso é imortal;   na sexta parte, destacam-se as razões que o levaram a escrever o tratado e aquilo que declarou ser essencial para o progresso do conhecimento. As experiências ‘são tanto mais necessárias quanto mais avançados estivermos no conhecimento.

            Descartes mostra existência de Deus analisando que a própria dúvida não advém de si mesmo, mas que foi colocada no ser humano,como conseqüência, é afirmando que Deus existe, pois Deus é a única garantia de que o ser humano pensa, e como conseqüência, afirma-se que Deus existe, porém, Deus só existe porque é pensado pelo ser humano. Este Ser, Deus, como sendo algo de inigualável perfeição, é portanto, bom e verdadeiro. “As nossas ideias ou noções, sendo coisas reais, e provenientes de Deus em tudo em que são claras e distintas, só podem por isso ser verdadeiras( DESCARTES, p. 72)

            Só pode existir a ideia de perfeição se houver uma natureza mais perfeita e que esteja acima do ser humano. Essa natureza, portanto, é Deus. Pois, Descartes acreditava que além dele mesmo, haveria de existir outras coisas, confirmando então, a existência de um Ser maior como uma realidade objetiva.

            “E é evidente que não repugna menos admitir que a falsidade ou a imperfeição procedem de Deus, como tal, do que admitir que a verdade ou a perfeição procedem do nada” (DESCARTES, p. 72).


Trabalho de aproveitamento das disciplinas de Introdução a Filosofia, História da Filosofia e Filosofia da religião ministrada pelos professores Joaquim e Marco Antônio Papp , do Instituto Filosofico Canção Nova. em 2009 pelo Seminarista Leandro Paulo do Couto


 

REFERENCIAS

DESCARTES. Obra Escolhida. Aclásicos Garnier. Tradução de J. Guinsburg e Bento Prado Junior. 2°ed. Difusão Européia do Livro: São Paulo, 1973

Compartilhe!

Deixe uma resposta

Seu e-mail não será publicado.

Você pode usar estas tags e atributos HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong>